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Legado
“Digno e honrado. Chamado de santo.”
Diário de Pernambuco
Limoeiro, 1895 — Recife, 1987. Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife, jornalista e vereador. Bisavô do responsável por este escritório.
A trajetória
Dedicou a vida a provar que a lei também vale para quem trabalha.
Cristiano Coutinho Cordeiro nasceu em Limoeiro, no agreste pernambucano, em 23 de maio de 1895. Aos dezoito anos entrou na Faculdade de Direito do Recife — a mesma casa que formou boa parte do pensamento jurídico brasileiro — e ali começou a fazer algo que naquela época não era comum entre bacharéis: frequentar sindicato.
Ainda estudante, e já funcionário do Tesouro do Estado, acompanhou de perto os movimentos operários do Recife. A primeira manifestação de que participou, e que nunca esqueceu, foi uma passeata das cigarreiras — as trabalhadoras das fábricas de cigarro — durante uma greve. Bacharelou-se em 1917, aos vinte e dois anos.
O que veio depois foi uma vida inteira dedicada a levar o Direito a quem não tinha acesso a ele. Escreveu, foi preso, foi exilado, deu aula, voltou. Em todos esses papéis, a mesma ideia: a de que a lei precisa alcançar quem trabalha, e não apenas quem contrata advogado.
Décadas depois, o Diário de Pernambuco o descreveria como uma lenda do Nordeste — um homem cuja reputação de dignidade atravessou regimes, prisões e exílios sem sofrer arranhão.
Dr. Cristiano Coutinho Cordeiro
Limoeiro, 1895 — Recife, 1987
Linha do tempo
De Limoeiro ao nome de uma rua no Recife.
Nasce em 23 de maio, no agreste pernambucano.
Ingressa no curso já sendo funcionário do Tesouro do Estado. Passa a frequentar sindicatos e a acompanhar os movimentos operários da cidade.
Conclui o curso de Direito.
A pedido do Comitê da Greve Geral do Recife, elabora um número especial do jornal dedicado ao movimento.
Dirige o jornal, órgão da Federação dos Trabalhadores de Pernambuco, com redação na Praça do Carmo. O objetivo declarado era simples: fazer o trabalhador conhecer os próprios direitos.
Eleito vereador do Recife, só toma posse por meio de mandado de segurança impetrado pelo advogado Baltazar Mendonça no Tribunal de Justiça de Pernambuco. Foi preciso um advogado ir ao Judiciário para que um direito reconhecido nas urnas se tornasse efetivo.
Com o fechamento da Câmara Municipal em 10 de novembro, é preso e intimado a deixar o Recife. Deportado para Santos, dedica-se ao magistério — leciona em São Paulo e, depois, na Faculdade de Direito de Goiás.
Reassume o cargo público, lotado no Arquivo Público Estadual, onde permanece até se aposentar.
Volta ao trabalho na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, sob o comando de Celso Furtado, onde fica até 1975.
Lança, na Livraria Livro 7, no Recife, a coletânea que reúne seus escritos de seis décadas.
Morre em 30 de novembro, aos 92 anos, na cidade onde hoje uma rua leva seu nome.
Dr. Paulo Gomes de Andrade Neto · OAB/PE 62.576
Quatro gerações depois
Um século depois, a mesma família, o mesmo ofício e a mesma missão.
Se o bisavô encontrava o trabalhador na porta da fábrica, o bisneto o encontra diante do INSS, do banco e da construtora. Mudou o endereço. Não mudou quem chega sem ninguém para defendê-lo.
Previdenciário, Imobiliário e Bancário parecem assuntos distantes uns dos outros. Têm em comum a mesma cena: de um lado, uma instituição com departamento jurídico inteiro; do outro, uma pessoa sozinha, com um contrato que não redigiu, um desconto que não autorizou ou uma negativa que não sabe contestar.
É nessa desproporção que o escritório trabalha — e é por isso que há formação específica em cada uma das três, e não apenas prática acumulada.
Quando o Dr. Cristiano Cordeiro faleceu, no Recife, em 1987, o bisneto que hoje conduz este escritório ainda era criança, com sete anos de idade. Não houve tempo para conselho nem para conversa entre um homem de noventa e dois anos e um menino — houve o bastante para que ele nunca fosse, dentro de casa, apenas um nome em livro de história.
O que atravessou essa distância não foi a convivência. Foi a história, contada em casa e conservada em família até deixar de ser lembrança e virar critério de trabalho.
Dr. Paulo Gomes de Andrade Neto é bisneto do Dr. Cristiano Cordeiro e advogado inscrito na OAB/PE sob o nº 62.576. Setenta anos separam a formatura de um da do outro — e, ainda assim, a pergunta que organiza o trabalho é a mesma: como fazer o Direito chegar a quem tem menos acesso a ele.
Benefício negado a quem contribuiu a vida inteira. Desconto que aparece na aposentadoria sem ninguém ter pedido. Obra que não sai e valor que não volta. Mudaram os nomes das causas ao longo de um século. Não mudou quem costuma ficar sem defesa.
Há também uma coincidência que não é coincidência: como o bisavô, ele divide a advocacia com a sala de aula. Ensinar obriga a manter a matéria organizada e acompanhada semana a semana — e o rigor que a sala de aula exige é o mesmo que sustenta a leitura de cada caso que chega ao escritório, seja ele qual for.
Nada disso, porém, é herdado. Titulação se estuda: são três pós-graduações, uma para cada área em que o escritório atua, e cursos de aperfeiçoamento que continuam — entre eles Imunidades e Isenções Tributárias na Constituição e no STF, pelo próprio Supremo Tribunal Federal. Aula se prepara. Processo se lê por inteiro antes de virar petição.
A história da família dá a direção. O percurso profissional é construído um caso de cada vez.
A linha não parou aqui. O filho mais velho ingressa agora na faculdade de Direito — quinta geração de uma família que entendeu cedo para que serve a lei.
Referências
As informações desta página constam de registros públicos e podem ser verificadas nas fontes abaixo.
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